"Se Deus pode tudo, ou seja, se Ele é onipotente, então ele poderia construir uma pedra tão grande que nem mesmo Ele poderia erguê-la?" Essa pergunta foi feita uma vez a mim por um filósofo. Depois de anos sem conseguir respondê-la, cheguei a conclusão de que era preciso desconstruir a ideia medieval-cristã de Deus. Hoje que Ele tem vários nomes: Deus, Alá, Maomé, Jesus, Oxalá, Força Superior, Inteligência Suprema, Big Bang... São tantos nomes que não daria pra elencar, no entanto, são vários nomes para várias interpretações. E estas, muitas vezes são "criadas" ou desenvolvidas de acordo com a cultura de um determinado povo. O que me parece comum a todas estas interpretações da mesma coisa é o fato de que existe alguma coisa que criou todas as outras. Assim sendo, me parece também que esse conceito se aproxima do conceito científico onde um dia toda a matéria esteve concentrada em um único ponto altamente denso e minúsculo. O resto vocês já sabem. Daí vem a questão: Existe mesmo um Deus? E se existe como ele é?
Segundo o que nos ensinam e nos foi passado por Tia Neiva, Deus é a energia luminosa de ação e reação. Assim sendo, não consta nessa frase de que Deus seja alguma individualidade ou entidade, mas sim uma energia. Não seria Ele um senhor de barbas longas sentado em um trono mandando e desmandando... e aos poucos, a medida em que evoluímos vamos desvendando essa "figura simples e hieroglífica".
Segundo os grandes iniciados que estiveram na terra, Deus está dentro de nós. Isso é unânime na voz daqueles iluminados. Então percebemos que a indagação do filósofo não faz o menor sentido porque ela está baseada em um conceito errado de Deus. Ela não tem resposta porque é paradoxal e ação e reação não o é. Se Deus está dentro de cada um então supomos que o que é possível ou impossível é simplesmente aquilo que se acredita ser possível ou impossível. Logicamente levando-se em consideração a própria natureza das coisas e suas funções. Uma árvore nunca vai crescer para baixo nem a chuva vai "cair" de baixo para cima. Uma tartaruga nunca vai voar e assim por diante. Sabemos que a natureza é harmônica. Mas o homem tende a decompor a natureza, transformando sua harmonia em desarmonia para atender a desarmonia que existe dentro de si próprio, ao invés de aprender com aquela. O homem inventa e inova em tecnologia, mas parece que cada vez mais se distancia de de si mesmo, ou seja de Deus.
Outra questão pertinente é a indagação acerca do fato das disparidades econômicas, físicas e emocionais entre os indivíduos. Por que rico? Por que pobre? Etc. Essa questão, mesmo para o espírita ainda leigo, é muito fácil de responder, pois a própria noção de Deus, sendo ação e reação, já nos diz muito sobre o que precisamos ser nesta encarnação. Porém muitos são os que não creem ou deixaram de crer em Deus, principalmente neste século que ainda se inicia. Mas acredito que a descrença ou falta de religião, até mesmo o ateísmo, não se dá por causa de fé. Ora, toda essa gente não deixou de acreditar em Deus, deixou de crer na ideia de deus que fora repassada de maneira errada e articulosa. Sempre com o intuito de extrair benefícios, criar seguidores mais e mais, escravizar os sentimentos das pessoas etc. Mas se Deus é ação e reação, a própria vida ensina e promove as oportunidades para o autoconhecimento, talvez não precisando assim nem de nome ou de culto para se conectar a Ele. E se está dentro de cada um de nós, o ser mais próximo de Deus, neste caso, somos nós mesmos.
Talvez só saibamos em plenitude sobre Ele, quem ou o quê é Ele, quando conhecermos a nós mesmos. Nesse dia, perceberemos que o outro é uma parte de nós tão igual; que sem o outro, este complemento de mim mesmo, a quem devo amar como a mim mesmo, faltará uma parte da informação primordial que responderá à minha dúvida; faltará a metade de um todo naquele pequeno fragmento do universo; que sem o outro nada sou, ou sou somente uma parte de um todo que sem mim também não o é.
Adj. Aruxã
Mestre Fidel
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